Estrelas na madrugada chuvosa



A escuridão é o papel em branco que segue o instinto da pele. A luz do luar traceja delicadamente os contornos desse movimento gravitacional, invisível aos olhos distraídos, que harmoniza a comunhão de dois mares na eternidade. 

☁️ Às vezes, o porto seguro não é um lugar, é um encontro



Ele me esperava deitado, de lado, com os olhos ternos de quem esqueceu a pressa em um canto qualquer e não fazia questão de encontrá-la, estendendo a mão naquele gesto silencioso que dizia tudo e entendia o medo escondido atrás do sorriso.
Deitei-me de frente para ele, encurtando a última fronteira que restava do embaraço. As mãos dele acolhiam as minhas, que tremiam um pouco e iam também relaxando, se encaixando na penumbra, desenhando estrelas na pele.
Beijei-o. Bem lentamente, decorando cada fragmento dessa declaração, selando sem reservas a ternura de um afeto maduro, correspondendo a intenção. Sou sua. 
Acordei com uma vontade intensa de ter a noite inteira de volta. E o resto da vida para descobrir que, às vezes, o porto seguro não é um lugar, é um encontro.


A gramática do balde transbordado



O pânico ainda assombrava meus sentidos. O peso daquele olhar invasor ordenava o ritmo dos passos. Ah, como doía. De cima a baixo, aquele olhar estreitado e dissimulado tocava em uma ferida que nunca se fechou de verdade.

Minha joaninha (seu casco não é uma prisão)

 


“Minha joaninha, o seu casco não é uma prisão, é a sua casa. Suas pintinhas são o seu mapa estelar. Escreva mesmo que ninguém leia, porque o papel é a única terra firme que nunca afunda sob os nossos pés.”

Terças com Tita | O preço da estabilidade

 


A cura é uma promessa que vende. Um salto de fé para os joelhos amortecidos, um caminho para o céu, para encarar a escuridão sem sentir que se está prendendo o ar, o choro e algumas respostas indecorosas. Ninguém conta que, às vezes, esse salto é um abismo traiçoeiro. 

Simplesmente Tita 15 anos | O baú de memórias (e o Bonde das Groselhas)

 


No finalzinho do mês completam-se 15 anos da primeira versão de Simplesmente Tita, tal como a conhecemos hoje. Entre fevereiro e março de 2008, escrevi uma versão da novela dela, mas totalmente diferente do que é hoje. Tenho o rascunho guardado no Word em algum lugar.

Muitas páginas, revisões e aventuras depois, venho agradecer a participação de todas as pessoas que colaboraram, seja lendo, comentando, divulgando, que já fizeram capas e desenhos para a Tita, para leitores que se converteram em amigos. 

Mesmo aqueles que em algum momento abandonaram a leitura, não tem problema; venham quando estiverem se sentindo bem e se a leitura tocar o coração. Ninguém aqui é obrigado a nada.

Demonstrações de carinho recebi muitas, mas como nada nessa vida é perfeito, vou listar algumas groselhas de haters que até tentaram me desmotivar ao longo desses anos e vão virar o que sempre foram, piadas, muito embora sem graça…

O elefante no casulo



O vento me direcionou para esse caminho outrora familiar. Conheço cada buraco dessa estrada, cada pedra no acostamento, cada grão de poeira que faz os olhos arderem e o ar estar carregado daquele essência de desilusão. Quando me perco nesse afã de encontrar um lugar para de meu chamar, basta fazer o retorno. A escuridão nunca me bombardeia com demasiadas perguntas.

Destrinchando a Letra | Moments of Love — Cathy Dennis

Depois de revisitar uma das músicas mais marcantes de Confissões de Laly na última edição do Destrinchando a Letra , resolvi aproveitar o e...