Por que é melhor "pensar antes de falar"? (31/08/2016)
Lembranças daquele natal
Curitiba, 25
de agosto de 2016.
Um dos momentos mais bonitos da minha vida
ocorreu numa véspera de Natal na qual tive a oportunidade de te ver. Três anos
atrás. Verão tropical, quente e genuinamente venturoso pela simplicidade de
reconhecer que a felicidade é doce e não faz alarde quando chega.
Os sinos dobravam na catedral, as famílias
confraternizavam em seus lares, os fogos de artifício coloriam as horas em que
todos retornam à infância. A lua brilhava soberana no céu repleto de promessas,
esperanças, sonhos, milagres.
Meu presente era aquele instante. Eu ser
eu, você ser você. Magia aquecida por um sorriso que transcendia mais do
que o mero mover dos lábios, desembrulhava a timidez.
Eu era sua. O que havia de mais
precioso foi oferecido em minhas preces e ainda reside em mim, ajudando-me a
levantar depois que me perdi e pensei que alguém seria capaz de te substituir.
Ninguém poderá ocupar o lugar que sempre foi
seu. No ano passado eu bem que tentei e me machuquei porque quando estava com
ele vivendo uma farsa, era em você que eu pensava, o seu calor que eu
procurava. Nos olhos dele identifiquei a mentira e a maldade, nos seus eu me
esbaldava de tanta ternura, vislumbrava a profundidade desse sentimento, me
sentir literalmente falando, em casa.
Nunca voltei a gostar de você por uma
explicação simples e lógica: eu nunca deixei de sentir, apenas me
afastei e aceitei migalhas por acreditar que você era perfeito demais para mim,
no entanto como posso brigar com o meu coração se foi ele que te escolheu?
Ele brincou com os meus sentimentos e foi
embora, não sem me destruir, me humilhar e fazer com que eu quase desistisse
dos meus sonhos. Você sempre me mostrou que vale a pena acreditar e lutar
enquanto houver forças, então é por isso que mesmo sem poder te ver todos os
dias e me sentir como se uma parte de mim não mais me pertencesse, sigo firme
nos meus propósitos porque sei que é isso que você iria gostar que eu fizesse.
E eu faço por mim, por nós.
Estive rememorando aquele natal, quão
verdadeira foi a minha gratidão. Cada centímetro do meu ser estava presente de
corpo e alma na ocasião. Nunca antes as lágrimas exaltavam a emoção de
consagrar aquele sentimento que me aproximou de Deus. Falei com o criador
sentindo uma alegria tão profunda e verdadeira que jamais se repetiu.
Se eu pudesse reviveria aquele instante,
deixando para trás todos os vestígios de egoísmo e insegurança, concentrada
naquilo que se faz com o tempo que existe enquanto a referida definição lhe cabe
adequadamente.
Se eu tivesse de volta o tempo que passou,
faria sentido viver outra vez se houvesse a ínfima chance de meu destino
cruzar-se com o seu, sorrir sem pressa, com pureza, com a alma preenchida pela
doce certeza de que se a mesma vida que te tirou de mim pode te trazer de
volta. De todos os presentes que a vida já me ofereceu, amar você reacendeu
tudo de melhor que havia em mim, ensinando-me a desfrutar da magia do natal
todos os outros dias do ano.
Confissões de Laly | Rugidos ácidos (por Lalinha)
Em outra direção
O peso da ausência
O sono demorou a vir e o céu estava coberto.
Choveram lágrimas enquanto eu me entendia com o travesseiro.
Ninguém substitui o brilho no olhar e o jeito tranquilo de falar.
Ninguém substitui as peculiaridades de um amigo especial porque até as piadas ganham outra entonação e perdem a graça natural.
Ninguém pode imitar os tiques oriundos de uma personalidade forte porque toda cópia demonstra a grande falha da originalidade.
Ele pode tentar designar a um estilista para confeccionar um paletó importado, comprar camisas de seda, pensar que é informal por dispensar a gravata, mas quando cruza a perna igual a você, fica ridículo.
Ninguém pode esperar que o aroma do perfume seja uma figura à parte, por mais que ele copie a fragrância que era a sua marca registrada. Torna-se apenas a presença fedida e forçada.
Ninguém pode imitar o gosto de um beijo e patentear um abraço.
Quando ele ri, demonstra a pretensão de se julgar indestrutível e intocável. Você sabia rir de um modo tão único que costumava me fazer rir também.
Ele tenta forçar uma simpatia que não tem. Aquela mania de bancar o sabe-tudo e ter sempre a palavra para mil adendos é a arrogância velada.
Ele se esqueceu de que não é superior à morte.
Seu silêncio era sereno, falava muito mais do que aquele monólogo egocêntrico.
Quem pode te trazer de volta senão a saudade?
Se todas as noites a lembrança da sua partida ainda me deixa angustiada?
Nunca deixarei que ele entre no meu coração. Ele é seu. Você o fez por merecer.
Ninguém pode entender que a ausência tem um peso enorme quando um pedaço seu está com alguém que se encontra muito longe agora.
Esquecer você é apagar a minha história, os meus sorrisos, as pétalas de rosa que adornaram o meu caminho, a sonoridade natural de um sonho puro que me ilumina, ainda que ninguém possa te ver nem te trazer de volta, não como era porque nada mais será, talvez melhor, quem sabe…
Curitiba, 28 de julho de 2016.
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