O "batismo de fogo" que ninguém pediu: você conhece a Ilha da Garganta Cortada?

 

Minha incursão no mundo dos videogames começou lá no verão de 1997. Foi quando a madrinha do meu irmão lhe presenteou com um Super Nintendo e um universo inteirinho se abriu para três crianças em idade escolar. 

Sabe aquele frenesi que os moradores da Vila do Chaves têm quando a Dona Florinda comprou a lavadora? Foi mais ou menos desse jeito. Entretanto, para a nossa frustração, em vez do Super Mario World, veio a Ilha da Garganta Cortada (Cutthroat Island).

Por que ele é uma curiosidade aleatória? 

Porque até hoje eu nunca encontrei ninguém que tenha conhecido ou jogado Cutthroad Island. Quase 30 anos depois decidi trazer o assunto para ver se encontro mais alguém que também empacou infinitamente na “fase do carrinho” ou chegou a zerar com a Morgan e o Shaw.



🛠️ Ficha Técnica

  • O Filme Maldito — Cutthroat Island (1995) entrou para o Guinness Book como o “maior prejuízo de bilheteria da história” na época. A produção custou por volta de US$ 100 milhões e arrecadou apenas US$ 10 milhões. O estúdio, a Carolco Pictures, faliu logo depois.

  • A Desenvolvedora — O jogo foi feito pela Software Creations e publicado pela Acclaim, famosa por pegar filmes e transformar em jogos difíceis e, muitas vezes, meio “travados”.

  • Estilo de Jogo — É um Beat 'em up (briga de rua) com plataforma. A “fama” dele, porém, vem da jogabilidade punitiva. Os controles no Super Nintendo eram conhecidos por serem “duros”, o que tornava saltos de precisão um pesadelo.

  • Spinnacker Cliffs (fase 2) — É exatamente onde eu encalhei! Essa fase de perseguição em uma carroça. Você precisava pular obstáculos, desviar de pedras e combater inimigos ao mesmo tempo em que a tela “corria” (scrolling forçado). Um erro de timing e você perdia uma vida inteira. Não tinha “checkpoint” generoso como no Mario.

  • Trilha Sonora — Curiosamente, a música não é ruim (é orquestrada), criando um contraste bizarro: uma música épica para uma experiência de jogo frustrante. 

Nem me lembro se cheguei a assistir a esse filme quando passou na TV, mas o provável é que não. 

Foi mais marcante o dia em que fomos à locadora que ficava pertinho da nossa casa e alugamos o Super Mario World. Virou uma briga porque todo mundo queria jogar ao mesmo tempo, contudo, meu irmão tinha prioridade por ser o mais velho e o videogame ser dele, então, quando minha irmã e eu queríamos jogar, precisava ser numa ocasião em que ele não estivesse em casa.

Passados uns meses, meu irmão chegou do colégio com a fita do Mortal Kombat 3 (se não me falha a memória). Cutthroad Island deu espaço para a adrenalina dos fatalities e aqueles macetes que envolviam apertar “meia-lua” mais A, B, X ou Y. No MK eu só levei fatality e brutality, nunca dei nenhum.

No fim, a Ilha da Garganta Cortada não foi apenas um erro de percurso; foi minha escola de guerra. Não foi o jogo da vida, porém foi aquele que me apresentou ao universo dos videogames. Foi a minha primeira lição sobre expectativas: às vezes, o universo te promete o Reino do Cogumelo, mas te entrega uma ladeira íngreme para vencer o desafio da vez… ou ficar pelo caminho.

Para quem é gamer e tem vontade de jogar, não custa tentar para formar sua própria opinião. Quem sabe um dia desses eu volte e tente passar a fase do carrinho? Nunca se sabe...

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