Minha incursão no mundo dos videogames começou lá no verão de 1997. Foi quando a madrinha do meu irmão lhe presenteou com um Super Nintendo e um universo inteirinho se abriu para três crianças em idade escolar.
Sabe aquele frenesi que os moradores da Vila do Chaves têm quando a Dona Florinda comprou a lavadora? Foi mais ou menos desse jeito. Entretanto, para a nossa frustração, em vez do Super Mario World, veio a Ilha da Garganta Cortada (Cutthroat Island).
Por que ele é uma curiosidade aleatória?
🛠️ Ficha Técnica
O Filme Maldito — Cutthroat Island (1995) entrou para o Guinness Book como o “maior prejuízo de bilheteria da história” na época. A produção custou por volta de US$ 100 milhões e arrecadou apenas US$ 10 milhões. O estúdio, a Carolco Pictures, faliu logo depois.
A Desenvolvedora — O jogo foi feito pela Software Creations e publicado pela Acclaim, famosa por pegar filmes e transformar em jogos difíceis e, muitas vezes, meio “travados”.
Estilo de Jogo — É um Beat 'em up (briga de rua) com plataforma. A “fama” dele, porém, vem da jogabilidade punitiva. Os controles no Super Nintendo eram conhecidos por serem “duros”, o que tornava saltos de precisão um pesadelo.
Spinnacker Cliffs (fase 2) — É exatamente onde eu encalhei! Essa fase de perseguição em uma carroça. Você precisava pular obstáculos, desviar de pedras e combater inimigos ao mesmo tempo em que a tela “corria” (scrolling forçado). Um erro de timing e você perdia uma vida inteira. Não tinha “checkpoint” generoso como no Mario.
Trilha Sonora — Curiosamente, a música não é ruim (é orquestrada), criando um contraste bizarro: uma música épica para uma experiência de jogo frustrante.
Nem me lembro se cheguei a assistir a esse filme quando passou na TV, mas o provável é que não.
Sobre a história
Para não parecer que estou apenas zombando da dificuldade (ou da minha falta de perícia aos 8 anos), é preciso dizer: A Ilha da Garganta Cortada tem uma história riquíssima. Ambientado em pleno século XVII, o jogo nos apresenta a Morgan Adams, uma protagonista que quebra todos os clichês da época.
Filha de um capitão falecido, Morgan herda não apenas um navio, mas um pedaço de um mapa do tesouro que é o estopim de uma trama épica de traição e aventura. Ao lado de Shaw, um intelectual que resgata para traduzir o mapa, ela precisa enfrentar o terrível Dawg Brown, um vilão que não mede esforços para tomar o que é dela.
É uma jornada de herança, coragem feminina e sobrevivência em um mundo onde os piratas ditavam as regras.
Um amor que já dura três décadas
Passados uns meses, meu irmão chegou do colégio com a fita do Mortal Kombat 3 (se não me falha a memória). Cutthroad Island deu espaço para a adrenalina dos fatalities e aqueles macetes que envolviam apertar “meia-lua” mais A, B, X ou Y. No MK eu só levei fatality e brutality, nunca dei nenhum.
Foi mais marcante o dia em que fomos à locadora que ficava pertinho da nossa casa e alugamos o Super Mario World. Virou uma briga porque todo mundo queria jogar ao mesmo tempo, contudo, meu irmão tinha prioridade por ser o mais velho e o videogame ser dele, então, quando minha irmã e eu queríamos jogar, precisava ser numa ocasião em que ele não estivesse em casa.
No fim, a Ilha da Garganta Cortada não foi apenas um erro de percurso; foi minha escola de guerra. Não foi o jogo da vida, porém foi aquele que me apresentou ao universo dos videogames. Foi a minha primeira lição sobre expectativas: às vezes, o universo te promete o Reino do Cogumelo, mas te entrega uma ladeira íngreme para vencer o desafio da vez… ou ficar pelo caminho.
Para quem é gamer e tem vontade de jogar, não custa tentar para formar sua própria opinião. Quem sabe um dia desses eu volte e tente passar a fase do carrinho? Nunca se sabe...
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