Mary Recomenda | O Ditador Honesto - Mateus Peleteiro


 

Li O Ditador Honesto entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2022, mas consciente de que a obra havia sido escrita quatro anos antes. Ainda assim, permanece atual — talvez mais do que gostaríamos.

Mary Recomenda | O Último Choro das Begônias - Theos Neves

 

“Por que ela se sente derrotada?”

“Pois ela soltou a corda.”
“E quem disse que soltar a corda é realmente uma derrota?”
“As regras do jogo.”
“Pois eu discordo. Vencer o jogo significa machucar as mãos? Significa lutar contra uma causa fadada ao fracasso? Às vezes, numa luta, o lado vencedor não é aquele que tem mais força e consegue puxar a corda mais forte. O lado vencedor pode ser aquele que percebe a ausência de um motivo na luta… e simplesmente solta a corda.”

26 de Setembro | Dia Nacional do Surdo

 


📚 Os Cadernos de Marisol

🤟🏼 Ser surdo não é estar em silêncio. É viver em outra língua — e numa sociedade que nem sempre está disposta a ouvir.


📜 Por que 26 de setembro?
A data marca a fundação do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), em 1857, no Rio de Janeiro — um marco na luta pela educação e inclusão das pessoas surdas no Brasil.

Mas por mais que tenhamos avançado, ainda vivemos num país onde muita gente acha que inclusão é favor. E não é. É direito.
A surdez não é deficiência de inteligência.
É uma diferença linguística e sensorial.
E a Libras não é mímica. É língua. Completa, viva, legítima.


🧏🏽‍♀️ O surdo que usa Libras não é alguém a ser “curado”. É alguém a ser compreendido.
Mas para isso, a sociedade precisa fazer a sua parte:

  • As escolas precisam de professores fluentes em Libras e material adaptado.

  • Os noticiários, canais de TV e plataformas digitais precisam garantir acessibilidade real (e não só janela decorativa).

  • Os espaços públicos precisam ter informação visual clara e profissionais capacitados.

🎙️ Incluir não é só aceitar. É mudar o sistema para que todos possam estar nele de verdade.


💬 E onde começa a exclusão?
Muitas vezes, começa na infância.
Na escola que não tem intérprete.
No professor que desiste da criança surda.
No amiguinho que não aprende a se comunicar e se afasta.
No olhar de pena. Na tentativa forçada de oralização.
No “ah, não entendi, deixa pra lá.”

😔 O problema não é a surdez.
É o mundo que se recusa a ouvir com o coração.


📚 Sobre a Libras:

  • Em 2002, a Língua Brasileira de Sinais foi reconhecida como língua oficial da comunidade surda no Brasil (Lei 10.436/02).

  • Ela tem estrutura própria, com gramática, regionalismos e expressividade — como qualquer outro idioma.

  • É uma forma de resistência e de identidade cultural.


Qual é correto dizer: surdo ou deficiente auditivo?

A pergunta é fundamental, pois os termos utilizados podem fazer uma grande diferença na forma como a comunidade surda é vista e respeitada.

  • “Surdo” é o termo preferido pela própria comunidade, pois não carrega a ideia de “falta”. Ser surdo é ser parte de uma identidade cultural e linguística com uma língua própria (Libras), uma história coletiva e uma forma única de perceber o mundo.

  • “Deficiente auditivo” pode ser visto como um termo médico, utilizado em contextos legais ou educacionais, mas é considerado capacitista por muitos, por sugerir que a surdez é algo a ser “curado” ou “corrigido”, quando, na verdade, é apenas uma diferença sensorial.

🔑 A chave está no respeito: a comunidade surda se reconhece como tal e deseja ser chamada assim.
Portanto, sempre prefira o termo “surdo” e, quando for falar de uma pessoa ou comunidade, lembre-se: a surdez não é uma deficiência, é uma maneira legítima e rica de existir no mundo.

📌 Se você conhece alguém surdo, aprenda ao menos um gesto. Um “oi”, um “obrigado”, um “estou aqui”. Pode ser a ponte que faltava pra transformar a presença em afeto verdadeiro.

📌 Com respeito e escuta — mesmo quando não é com os ouvidos — dos Cadernos de Marisol.

23 de setembro | Início da primavera

 


📚 Os Cadernos de Marisol

🌷 A primavera é a promessa de novos começos, de florescer e de sentir a beleza da renovação.


📜 O que significa a primavera?
A primavera chega trazendo consigo uma sensação de renovação, florescimento e um ar de esperança. Quando ela começa, no dia 23 de setembro, aqui no hemisfério sul, o mundo ao nosso redor parece se transformar, das folhas que ganham novas cores às flores que começam a brotar, perfumando o ar e enchendo os olhos de beleza.

A primavera é a estação dos recomeços. Ela não somente transforma a natureza ao nosso redor, mas também nos convida a refletir sobre os ciclos de nossa própria vida.


🌿 O florescimento da natureza
Os campos e jardins se enchem de cores e fragrâncias, e a natureza se reinventa, como se, a cada ano, nos ensinasse que renovar é essencial. Durante essa estação, a beleza das flores se torna uma metáfora para o que podemos florescer em nós mesmos. A primavera nos lembra de que até os momentos mais difíceis podem ser superados e que, em algum momento, podemos florescer novamente.


💭 Reflexão pessoal na primavera
Assim como as plantas, nós também passamos por ciclos. Às vezes estamos em um período de inatividade ou dificuldades, mas a primavera nos ensina a ressurgir com força, a recomeçar com coragem e a abrir nossas mentes para novas possibilidades.

  • Que sementes você plantou ao longo do ano?

  • Quais flores você espera ver crescer em sua vida?


🌸 A primavera é sobre recomeçar, mesmo quando as condições não parecem ideais. Se as árvores podem perder suas folhas e, ainda assim, se renovar, por que não nós? Nosso potencial de florescer está sempre em nós.


📌 Celebre o início da primavera como um convite para se renovar, se transformar e florir.

📌 Com a leveza da estação, dos Cadernos de Marisol.


Equinócio de Primavera e os Fenômenos Climáticos no Brasil

 

📚 Os Cadernos de Marisol

🌷 O Equinócio de primavera é uma mudança de estação, bem como o momento de equilíbrio entre a luz e a escuridão, um lembrete da nossa conexão com os ritmos naturais do planeta.


📜 O que é o Equinócio de Primavera?

O Equinócio de Primavera ocorre no dia 23 de setembro no Hemisfério Sul, marcando o início oficial da estação das flores. Esse fenômeno acontece quando o Sol incide de maneira perpendicular ao eixo da Terra, resultando em um equilíbrio perfeito entre o dia e a noite, com ambas as durações sendo de aproximadamente 12 horas.

No entanto, para os meteorologistas, o início da primavera ocorre no dia 1º de setembro. Para a meteorologia, a mudança de estações é definida por padrões climáticos, que se baseiam nas médias de temperatura e nas características climáticas de cada região, e não somente em fenômenos astronômicos.

Primavera Astronômica:

  • Começa em 23 de setembro e vai até 21 de dezembro.

Primavera Meteorológica:

  • Começa em 1º de setembro e vai até 30 de novembro, com base em padrões climáticos sazonais.


🌱 Temperaturas Mais Altas na Primavera: Um Fenômeno Climático

É interessante notar que, segundo estudos meteorológicos da Met Sul, as temperaturas mais altas da primavera não são necessariamente registradas no verão. Pelo contrário, muitas vezes o calor extremo ocorre no fim do inverno e no início da primavera, devido à presença de alta pressão atmosférica que retém o calor acumulado e não permite que as temperaturas se dissipem rapidamente.

Esse fenômeno climático é mais acentuado no Hemisfério Sul, onde a presença de grandes oceanos tem um efeito moderador nas temperaturas. Porém, essa transição pode ser bem intensa em regiões como o Sul do Brasil, onde o calor pode aumentar rapidamente logo após o fim do inverno.

A primavera no Brasil: como ela se manifesta nas diferentes regiões?

🌷 Primavera no Brasil: O início da estação
A primavera é uma época de renovação e florescimento no Brasil, mas o clima da estação não é o mesmo em todas as partes do país. As regiões brasileiras, com suas características climáticas e geográficas, experimentam a primavera de maneiras bastante distintas.


🌿 Região Norte (Amazônia)
No Norte do Brasil, a primavera é marcada pela continuidade do clima quente e úmido. Embora a estação das flores se inicie oficialmente, as temperaturas se mantêm elevadas durante todo o ano. A Amazônia, uma das maiores florestas tropicais do mundo, tem um clima tropical úmido, com chuvas frequentes e temperaturas que oscilam entre 24°C e 30 °C.

No entanto, a primavera não traz grandes mudanças climáticas para a região. Ela potencializa o crescimento da vegetação e torna a floresta ainda mais verde, com o ciclo de chuvas e expansão da biodiversidade.


🌞 Região Nordeste
No Nordeste, a primavera é uma época de transição para o calor intenso e tempo seco, principalmente nas zonas mais secas, como o sertão nordestino. A seca característica do Nordeste faz com que, embora a primavera seja colorida, com o florir de algumas plantas, ela também traga uma escassez de chuvas.

Durante o BRÓ-BRÓ-BRÓ (setembro a dezembro), o calor se intensifica e a umidade relativa do ar diminui drasticamente, o que pode agravar problemas respiratórios e dificuldades de vida para quem reside em algumas dessas áreas.


🌾 Região Centro-Oeste
Na Região Centro-Oeste, a primavera é uma estação de transição entre o clima mais seco do inverno e o calor intenso do verão. O Pantanal e o cerrado experimentam uma variação mais pronunciada de temperaturas nessa época, e a estação pode trazer chuvas mais fortes, seguidas de uma seca no final da estação.

Com o BRÓ-BRÓ-BRÓ nas regiões mais secas do Centro-Oeste, o calor vai subindo gradualmente, e a vegetação começa a murchar, já que as chuvas não são suficientes para manter a umidade do solo.


🌸 Região Sudeste
No Sudeste, a primavera começa com temperaturas amenas, mas com a aproximação do final do inverno e o início da estação, o clima tende a aquecer gradualmente, especialmente em áreas como São Paulo e Rio de Janeiro. O Sudeste tem uma estação de chuvas durante a primavera, com toró e trovoadas frequentes, especialmente no final da estação, ajudando a aliviar o calor mais intenso.

Entretanto, o calor não chega a ser tão escaldante quanto em outras regiões, e a primavera traz um clima mais ameno e agradável, favorecendo o florir das plantas e flores nas cidades, além do aumento das temperaturas.


🌻 Região Sul
A Região Sul do Brasil experimenta uma primavera que começa fria. O inverno mais rigoroso deixa o clima frio e seco nas primeiras semanas da estação, mas à medida que a primavera avança, as temperaturas aumentam, criando um clima mais ameno. A primavera no Sul é marcada pelo florescer das plantas, mas também por uma maior variação de temperatura. Quando o calor começa a surgir, é seguido por chuvas fortes, resultando em um clima muito úmido.

A primavera no Sul também tem picos de calor, com temperaturas superando os 30 °C, e a estação é frequentemente marcada por grandes tempestades. Mesmo assim, a transição para o calor no final da primavera pode ser um desafio.


🌞 BRÓ-BRÓ-BRÓ: O Calor Escaldante nas Regiões do Nordeste e Centro-Oeste

O BRÓ-BRÓ-BRÓ é um fenômeno climático que ocorre de setembro a dezembro, quando o calor se intensifica nos estados de Maranhão (MA), Tocantins (TO), Piauí (PI) e Bahia (BA). Durante esse período, as temperaturas elevadas são acompanhadas de um clima seco, agravando o desconforto, especialmente nas regiões mais desérticas e semiáridas.

A escassez de chuvas e a presença de massas de ar quente e seco no Brasil Central e Nordeste tornam as temperaturas mais extremas e dificultam a umidade do ar. Essas condições tornam o calor mais insuportável, especialmente em cidades como Teresina, que registram temperaturas que podem superar os 40 °C no pico da estação.


🌍 O Fenômeno do Calor Extremo no Brasil: As Consequências

O calor intenso do BRÓ-BRÓ-BRÓ é um fenômeno meteorológico complexo, que envolve tanto o efeito de altas pressões quanto a escassez de umidade. As regiões mais afetadas, como o Centro-Oeste e o Nordeste, sofrem com temperaturas extremas, que podem afetar a qualidade de vida, a saúde respiratória e até mesmo as atividades agrícolas.


📌 Reflexão sobre o Clima e a Responsabilidade Coletiva

A chegada do equinócio de primavera nos lembra que o clima é um fenômeno que afeta nosso cotidiano, um sinal de como nós, enquanto sociedade, precisamos agir para preservar o meio ambiente. A transição das estações, especialmente quando marcada por calor extremo e secas prolongadas, exige responsabilidade e conscientização sobre as mudanças climáticas.

📌 Com sabedoria e clareza, dos Cadernos de Marisol.

21 de setembro | Dia da Árvore 🌳

 


📚 Os Cadernos de Marisol

🌳 Toda árvore começa pequena. Algumas crescem sozinhas, outras em meio a roçados, quintais, calçadas rachadas ou matas esquecidas. Todas carregam história. A nossa também.

O Dia da Árvore é celebrado no Brasil desde os anos 1970, mas ganhou mais atenção com a expansão da educação ambiental na década de 1990. A escolha do 21 de setembro, próxima ao início da primavera no hemisfério sul, tem valor simbólico: é o tempo do florescer, do renascer, do verde que insiste mesmo depois do cinza.


🕰️ Árvore também é tempo.
Quem já brincou sob uma goiabeira, esperou alguém debaixo de uma mangueira ou chorou ao lado de uma paineira sabe: as árvores escutam.

  • Escutam segredos.

  • Guardam risos de infância.

  • Amparam balanços de pneu, festinhas de aniversário, tardes de tédio.

  • E são as primeiras a sentir quando a rua muda, quando a cidade se apressa, quando a vida corre demais.

🌿 Toda árvore é também um diário que não responde, mas sempre está ali.


📖 O Brasil é um dos países com maior biodiversidade arbórea do mundo.
São mais de 5 mil espécies nativas, entre elas:

  • Ipê-amarelo, símbolo nacional da resistência

  • Pau-brasil, cuja exploração marcou nossa história

  • Castanheira, que guarda sementes imensas e histórias maiores ainda

  • Jacarandá, cedro, peroba, seringueira, aroeira, jequitibá

🌎 Mas também somos um dos países que mais desmata.
A cada ano, perdemos milhares de hectares de floresta nativa para dar lugar a monoculturas, pastos, garimpos e estradas.
E cada árvore tombada sem consciência é também uma memória arrancada do chão.


Memórias que florescem: Zezé e Rubem Alves entre as árvores

📖 “O meu pé de laranja-lima era o meu segredo. A única criatura do mundo que sabia que eu estava triste.”
Zezé encontrou numa árvore o que faltava nos braços da própria casa.
Em Meu Pé de Laranja Lima, José Mauro de Vasconcelos plantou uma amizade que chorava, sonhava e partia — como tantas infâncias marcadas pela dureza do mundo. E talvez por isso esse livro tenha marcado tanta gente: porque lembrar de uma árvore é também lembrar de como a gente sobreviveu.



🌼 Já Rubem Alves via nos ipês-amarelos uma forma de resistência da beleza.
Amava observar quando floresciam em setembro, mesmo depois do frio, mesmo com a cidade indiferente.
Dizia que os ipês ensinavam o valor da surpresa, da gratuidade, do encanto que não serve para nada — e por isso mesmo é essencial.

“As flores dos ipês são inúteis. E talvez por isso mesmo sejam tão importantes.”

🌳 Zezé se despediu da sua árvore com lágrimas.
Rubem abraçava as suas com palavras.
E nós seguimos — lembrando, plantando, florindo… à nossa maneira.

Mary Recomenda | As Virgens Suicidas - Jeffrey Eugenides


O Mary Recomenda de hoje traz a resenha de um dos romances contemporâneos mais marcantes e melancólicos que já li: As Virgens Suicidas, de Jeffrey Eugenides. Publicado originalmente em 1993, o livro ganhou adaptação para o cinema em 1999 pelas mãos da estreante (e hoje cultuada) diretora Sofia Coppola.
Falar sobre essa obra é um desafio, não só pelo tema delicado, mas também porque ela deixa uma impressão difícil de descrever, algo entre o desconforto e o fascínio. Ainda assim, vou tentar — porque esse livro merece ser sentido.

🎥 LIVE DO TINO: DIREITO DE RESPOSTA

⚠️ AVISO IMPORTANTE Este post, assim como o e-mail e a própria existência do personagem Tino Cavalli, faz parte do universo ficcional das ob...