Parte 7: Amigo oculto ou amigo da onça?
Narrador: E voltamos! Voltamos com o Especial de Natal da Mão de Vaca… ops… da Malacubaca… ( resmungou baixinho) Estagiário folgado. Não, não, não quis dizer isso, quis dizer: o estagiário é o meu aliado. Tem alguém aqui que não seja eu? Se estiver, por favor, levanta a hashtag #amigoocultoMalacubaca…
William, com cara de poucos amigos, ensaboava os talheres de má vontade e Edu, ao lado dele, tomava conta dos copos. A pia ainda estava atulhada de louças sujas.
— Eu disse… Eu disse… O pior papel sempre é o meu! — choramingou William.
— Agradeça por não ser o anfitrião. — Edu deu uma piscadela marota para o melhor amigo: — Eu disse que minha casa estava em reforma. — deu de ombros. — Jogo de cintura, meu caro.
— Você, hein? Só me fala disso agora, pilantra?
— Vê lá, Will. Pilantra, não. O mundo é dos espertos, Will.
— O castigo vem a cavalo, malandro. Quer dar uma de esperto, mas vai se dar mal. Curioso isso, né? Desde que te conheci, sua casa está sempre em reformas, sua tia-avó já morreu umas duzentas vezes, seu sósia não se cansa de te colocar em encrencas e agora vem com esse caô de ser finalista do Prêmio Ratatouille.
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Rubão assistia ao especial de Natal lá em Angra dos Reis, junto aos seus funcionários e cachorros. Ao ouvir a história de Prêmio Ratatouille, esperou dar a hora da louça para chamar Noviça ao telefone:
— Edu Meirelles sendo coroado pelo Ratatouille? — Rubão estava incrédulo com tamanha audácia. — Meteu até o rato cozinheiro na encrenca.
— Você já gravou a edição de ano-novo?
— Geralmente, você sabe que eu deixo tudo gravado antes de sair de férias, mas estou pensando em interromper o descanso por alguns dias e marcar a premiação do Prêmio Ratatouille para o próximo domingo, o que acha?
— Perfeito!
— Preciso pensar em alguns detalhes. Quando tiver mais novidades, te aviso!
— Ficarei no aguardo, amigo!
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Edu e Will já não aguentavam mais lavar louça, porém estavam bem distantes do fim. Após conversar com Rubão por telefone, a diva aproveitou a ocasião para fiscalizar o trabalho dos folgados:
— Que bom que não estão trapaceando! — exclamou Noviça. — Porque se eu souber que você guardou louça suja dentro dos armários, não queira saber do que sou capaz.
— Ô diva, você anda muito brava! — queixou-se William.
— Já estamos terminando! — avisou Edu.
— Jura, Edu? Pensei que você tivesse dito que passaria o resto da noite lavando a louça! De qualquer forma, aguardo vocês para darmos o pontapé inicial no amigo oculto.
Noviça retirou-se.
— Devia ter dito que meu gato estava doente — murmurou Edu, cujo prato ensaboado caiu da pia e espatifou-se no chão.
— Que gato? — estranhou William.
— O gato que eu encontrei na rua hoje.
— Se mentir compulsivamente fizesse o negócio encolher, você já não teria nem cotoco, mermão.
— Pronto para ganhar lenços de papel da Tia Gladys?
Só então William se deu conta de ter esquecido de comprar o presente de seu amigo oculto.
— Algum problema, amigo. O pavê não caiu bem?
— Pior… até parece que comi a sua sobremesa — respondeu William.
— Estava demorando para você vir com suas piadinhas de Tiozão do Pavê.
— Você acredita que me esqueci de comprar o presente do meu amigo oculto?
— Recicla algum presente que você não gostou, ué! Eu sempre faço isso e não tem erro!
— Aí está o problema, só me lembrei disso agora.
— Se fosse mais cedo, eu poderia te ajudar, mas agora é tarde, amigo. O jeito é torcer para um Boletim Extraordinário interromper a programação quando for a sua vez de anunciar quem é o seu amigo oculto.
— É amigo ou amiga?
— Amiga…
— Putz, diga que você se esqueceu do presente no táxi. Já usei essa desculpa e deu tudo certo!
— Vem cá, Meirelles: você nunca pensou em publicar um livro elencando suas desculpas mais esfarrapadas?
— Não tenho fôlego para isso, não!
— Eu, se fosse você, pensaria com mais calma no assunto.
Narrador: Amigo oculto. Sei que você adora, eu também adoro, mas… Peraê! Seus sacanas, não me chamaram para o sorteio, é? Bando de malandros. Tudo bem, vamos ver o que vai rolar nessa reunião…
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Música: Rhythm of the night — Debarge.
Na sala de visitas, sentada em sua maravilhosa poltrona Pink, Noviça bateu o sino de mãos quando Edu Meirelles e William adentraram o recinto:
— Quem chegar por último não senta no colo da Mamãe Noel.
A árvore de Natal de Noviça que o público de casa via pela primeira vez foi personalizada com fotos da diva em diversos momentos da carreira. Lá no topo, em vez da tradicional estrela, uma Barbie de Noviça usando o vestido Pink com paetês e o cabelo de laquê.
Edu Meirelles, sentado em um futon verde-musgo, voltou-se para a câmera:
— Isso já deve ter acontecido com vocês, estou quase certo para não dizer totalmente. Você resolve participar do sorteio, investe num presente super interessante, mas a pessoa que te pegou ou não tem criatividade, ou é sovina, ou preferia pegar a si mesma. Eu sempre dou um jeito de fugir desses amigos ocultos porque sempre me dou mal, mas nesse ano não teve jeito, tive que participar. Expectativas? — Ele coçou a cabeça: — Como disse o Tiririca, pior do que está não fica. É meu lema para a vida e os amigos secretos.
— Posso começar? — Luís Carlos levantou a mão.
— À vontade, Luis Carlos. — sorriu Noviça.
Meirelles cutucou o ombro direito de William e cochichou algo com ele.
— Quem cochicha o rabo espicha! — buzinou Gladys, enciumada.
— Não é nada, não… — mentiu Edu.
— É sempre assim — dramatizou a tia de William —, sempre ficam de cochichos e não me contam nada.
— Posso começar? — Luís Carlos se levanta do sofá. — Antes de mais nada, quero dizer que é um enorme privilégio ser o anfitrião deste amigo oculto. Não é sempre que temos a oportunidade de estarmos juntos, mas nos presentearmos e esse amigo oculto é um evento muito importante…
Edu Meirelles arremedou Luís Carlos com caretas engraçadas e Jaqueline, rindo, evitou olhar para ele. Já o anfitrião do amigo oculto sentia-se o próprio Barack Obama discursando logo após ser reeleito.
— Mas agora vamos ao que interessa.
— Antes tarde do que nunca. — suspirou Lilly, entediada.
— Dê algumas pistas sobre quem é o seu amigo oculto — pediu Noviça, curiosa.
— Meu amigo oculto não gosta de mulher!
— Olha, William, é pra você mesmo! — zombou Edu.
— Meu amigo oculto não é o William.
Noviça coçou a cabeça, preocupada.
— Não estrague a brincadeira, energúmeno! — gritou Lilly.
— Eu só estou falando: meu amigo oculto não é o William.
— Sendo ou não, poderia ser um pouco mais sutil?— Meu amigo oculto não usa sutiã… Quer dizer, só no Carnaval.
Edu Meirelles fingiu observar a árvore de Natal.
— … Porque o William eu não sei se usa ou já usou sutiã. Gosta muito de mulher, isso todo mundo sabe, mas tem o pé esquerdo para tudo! Já o meu amigo oculto até gosta de mulher e não para por aí. Ele não tem duas ou três namoradas, o cara tem um harém do tamanho do Maracanã…
— É para dar o presente, não fazer um discurso — alfinetou Edu.
— Meirelles, pô, chega de suspense. Peguei você, cara.
— É sério? — Edu fingiu surpresa.
— Seríssimo.
Desanimado, Edu Meirelles levantou-se do futon para abraçar o amigo, que lhe entregou o embrulho dourado com um laço vermelho colado de qualquer jeito na parte superior.
— Não quero me gabar nem nada do tipo, mas, modéstia à parte, caprichei na escolha do presente. Se nos outros anos te deram presentes meia-boca, nesse ano comprei um presentinho que garanto: você vai gostar e usar bastante!
— Não diga?!
— Gigo mais: bati perna pra achar algo que você gostasse, mas quando achei, comentei com a Lilly que você iria adorar.
Lilly não se lembrava de nenhum comentário feito pelo irmão, pois eles se separaram para fazer as compras de presentes.
— Comigo não tem esse negócio de lembrancinha. — gesticulou Luís Carlos. — Comigo é presente generoso porque o Natal é uma data em que a gente tem que ser generoso. É só uma vez no ano, pô! Só tem um amigo oculto por ano.
— Ainda bem! — Edu Meirelles pensou em voz alta.
— Como sempre digo, só tem um amigo oculto no ano, então a gente tem que ser generoso, dar algum presente útil, decente, que a pessoa vá usar e lembre com carinho. Porque esse negócio de meia, despertador e porta-retratos é muito óbvio. Todo mundo vai dar. Vocês não concordam comigo? Meia, isso é tão fácil de dar. Mas o meu presente, Meirelles, foi pensando em você, que é um cara que não para nunca, que tem uma vida movimentada e precisa dar conta de tudo…
Edu Meirelles, já sentado de novo, desembrulhou o presente e viu uma agenda de 2012 onde o Neymar estava na capa. Com uma trilha instrumental de Natal sendo engolida por um toca-discos quebrado, o que mais poderia dar errado?
— Agenda 2012? — Edu nem sabia disfarçar o choque.
— Nós não vamos entrar em 2012?
— Do Neymar, cara?
— Eu disse que a minha agenda era mais bonita, mas esse abestalhado nunca ouve ninguém, faz tudo por conta, e olha só: estragou o Natal do Meirelles.
— Do Neymar? Pô, se ainda fosse a diva, a Renatinha, a Lalinha ou a Shakira, eu babava em cima. Mas do Neymar, cara? Sacanagem.
— Não se preocupe, Meirelles. Eu vou te dar a sua agendinha… Já prometi, já anotei no meu coração… — Noviça desenhou um coração para Meirelles no ar: — Não fique triste por causa desse energúmeno.
— Eu te disse, sua besta. Não posso te deixar comprar o presente sozinho que dá nisso.
— Estava tão baratinha.
— Baratinha é o seu nariz, seu desnaturado! — bronqueou Noviça.
— O castigo vem a cavalo, pilantra. — atiçou William, rindo como não acontecia havia muito tempo.
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Flashback.
Música: Don't go — Yaz.
Edu Meirelles tem certo azar em amigo secreto, pois todo ano Luís Carlos o pega. Em 2010, Meirelles ganhou um CD da banda Restart, sendo que o jornalista preferiria curtir um flashback. Afinal, faltou muito pouco para ele ser o novo Tony Manero.
— Restart, cara? — incomodou-se Edu.
— Estava custando um real na promoção.
— A Malacubaca não paga tão mal assim — lembrou a chefa.
— É assim que o anfitrião é tratado? — desabafou o bonitão. — Ganhar um CD de um real, pô!
— Um bom presente não tem valor — insistiu Luís Carlos.
— Escuta aqui, é amigo oculto ou amigo da onça?
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A troca de presentes no amigo oculto foi suspensa porque começou uma discussão daquelas. Sabem como é: parentes reunidos, troca de farpas…
— Já aviso de antemão que quem me der lenço de papel não entra na festa no próximo ano.
— Presta atenção, Will.
Tia Gladys escondeu a caixa de lenços de papel atrás da árvore de Natal.
— Quem será o próximo? — especulou Noviça.
— Eu, infelizmente… — Edu levantou-se desanimado.
— Viu só, energúmeno? Arruinou o Natal do Meirelles!
— Eu sempre disse que esse negócio de amigo oculto é uma chatice! — confessou Jaqueline, ora cochilando, ora resmungando.
— Então não participe…— Como se eu tivesse alternativa.
Outra discussão paralela começou.
— Por um open bar em 2014. E tenho dito!
— Puxa vida, Meirelles! Não gostou do meu presente?
— Tanto quanto o William diz não gostar de usar sutiã.
— Engraçadinho! — retrucou William.
— Pô, Meirelles! Essa agenda estava super baratinha no mercado. Cincão. É de 2012, está novinha em folha. 2012, cara. 2012… agenda do ano. A capa não é lá essas coisas, mas o que importa é o conteúdo.
Todos perguntaram ao mesmo tempo:
— 2012?
— A Copa do Mundo não é em 2012?
— Copa do mundo em 2012? Pensei que a copa aqui no Brasil seria em 2014.
— Não é? A copa aqui não vai ser em 2012?
— Vamos entrar em 2014. — corrigiu Noviça.
— Já estamos em 2014?
— Falta uma semana, calma lá! — acrescentou Jaqueline. — Tudo bem que esse ano não foi para amadores, mas falta um tiquinho ainda para 2014 chegar.
— E eu pensando que a gente estava em 2011…
— É que eu ainda não arranquei da parede o calendário de 2011… — Argumentou Lilly, constrangida.
Jaqueline olhou para baixo.
Narrador: … (estava dormindo até ser acordado) Hum? Hum? Aaaah! Ainda não acabou o amigo da onça? Ops, o amigo oculto? Aaah e você está aí acompanhando, não está? Então aguenta as pontas porque ainda não acabou… (boceja) É... Fique aí!
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