Arquivo Malacubaca Especial de Natal | Parte 8: Fim de festa? (2013)

 

Parte 8: Fim de festa? 

— Minha amiga oculta — anunciou Edu, segurando um embrulho cor-de-rosa com detalhes de patinhas: — É... Ela é... Bom… Ela é... Ela gosta de cachorrinhos…
 
Jaqueline sorriu e levantou-se do sofá para receber o presente.

— Eu não vim com discurso pronto, sabe como é… não sou muito bom em discursar como o nosso amigo Luís Carlos, mas quem sabe faz ao vivo. — Edu brincou com a amiga oculta: — Eu havia pensado em comprar o cd da Anitta, mas… acho que disso você fará mais proveito.

Jaqueline desembrulhou o presente e caiu no choro. Edu presenteou-a com um livro raríssimo sobre animais.

— Puxa vida, Ratatouille do Paraguai! — Jaqueline mal conseguia falar. Noviça apanhou o livro das mãos da filha, que abraçou Edu Meirelles. — Você deve ter gastado uma nota. Esse livro custava um rim no sebo.
— Ao contrário de uns e outros, eu gosto de fazer surpresas agradáveis no amigo oculto. Quando a gente vai dar um presente tem que ter uma noção do gosto da pessoa, pedir umas dicas… Assim não tem erro!
— Eu, por outro lado, adoro surpreender. — Luís Carlos devolveu a indireta.
— Mas muitas surpresas não costumam ser boas.
— Sendo surpresa é o que importa.
— Gostei de verdade. Você mandou muito bem! — disse Jaqueline.
— Viu só como seu futuro padrasto sabe o seu gosto? — sorriu Noviça, olhando para Edu Meirelles sem nem piscar.

Edu Meirelles engoliu em seco.

— Viu só como o Meirelles nunca dorme no ponto? Isso, sim, que é padrasto.

Meirelles bateu discretamente com o punho fechado no tampo de uma mesinha de canto.

— No ano passado ganhei um livro de horóscopo chinês para 2009. — recordou Jaqueline.
— Bem-vinda ao clube. — Edu levantou a mão para fazer um cumprimento com Jaqueline, outra azarada dos amigos ocultos desta emissora.
— Nem te conto! Ganhei uma cueca bóxer de oncinha no ano retrasado.

William deu um sorrisinho amarelo:

— Dessa vez foi por um descuido…

E foi mesmo. William iria se autopresentear, mas confundiu o presente. Essa justificativa ilustra muito bem o motivo pelo qual aquele vestido cor-de-rosa nunca de alcinhas jamais saiu do armário.

— E das outras vezes também… — entregou Gladys.

— Minha amiga secreta… Bem, ela… Ela é a melhor amiga da minha mãe.

Se não for Lilly, não sei quem é.

— Sou eu?
— E quem mais é irmã do energúmeno?


Jaqueline presenteou Lilly com o livro atualizado do Guinness Book e não poderia ser melhor. Lilly adora curiosidades.

— Que bacana, Jaqueline. Bonito da sua parte.
— Só lembrando que dos cães gigantes, infelizmente o George e o Zeus morreram.
— Quando puder, Lilly, vá lendo e contando para nós se já foi incluída a modalidade “estraga prazeres de amigos secretos”?
— Olha… até onde tenho conhecimento, não!

Lilly caiu na gargalhada. Noviça havia dado uma saída, mas voltou.

— Perdi muita coisa?

Lilly pegou Tia Gladys e corria para fugir dos merecidos safanões, não para menos, presenteou a tia de William com uma bengala.

— Está me chamando de velha?
— Pensei que gostaria de ter a bengala que o seu ator favorito usou antes de morrer.
— A bandida ainda por cima está me agourando! — Gladys rosnou.

Todos rolavam de rir, pois só Noviça, William e Luís Carlos ainda não haviam sido presenteados.

— Meu amigo oculto é o irmão gêmeo perdido do pateta. Ele tenta, até que tenta fazer tudo certo, mas parece que nasceu dormindo e ninguém o acordou… 

  

Gladys entregou um embrulho robusto para William, que o abriu todo animado, porém sentiu o sorriso murchar ao ver um kit só com cuecas bege e outro de meias marrons. Os dois se encontraram numa montagem a la Chaves.

— Cueca, tia?
— Descuidado como é, as suas devem estar em petição de miséria, ainda mais depois que se separou.
— Meia?
— Reclamando do presente, ingrato?
— Puxa vida, tia. Pensei que a senhora seria mais criativa…

Gladys fez menção de acertar William com a bengala: 

— E onde já se viu exigir presente? A tia dá o que pode.
— Meia eu compro no mercado, puxa vida.
— Andei olhando suas meias, William Bastos Marques! E estavam todas furadas, isso sem falar no chulé!

William queria cair duro de vergonha. Desde que se separou de Bilu, vivia literalmente no piloto automático e em algumas ocasiões não tinha forças nem para se cuidar.

Meirelles tentou não rir, mas era quase impossível.

— Cueca e meia, tia? Puxa vida…
— Por ser ingrato, no próximo ano, nem meia vai ganhar. Anota isso… — Gladys deu bengaladas no ar: — Nem meia vai ganhar…
— Queira tomar a palavra, Will. É a sua vez de revelar a quem pegou… — propôs Noviça, já bocejando.
— Eu?
— Quase todo mundo já foi, menos você e eu.
— Eu?
— É, Will… Você mesmo!

William sentiu-se observado por pares e mais pares de olhos curiosos e suou frio. Colocando as mãos no bolso, não sabia o que dizer. Invejava Edu Meirelles em segredo porque o falastrão sempre tinha uma desculpa esfarrapada na ponta da língua, embora quase sempre fosse desmascarado.

— Sem timidez, Will. Estamos em família. Se você me pegou, manda ver.

William olhou para baixo.

— Bem… Esqueci meu presente no banco do táxi.
— Eita, imprestável… Olha só, olha só! Fazendo fiasco no amigo oculto? — esbravejou a tia.
— É, Noviça, eu esqueci o seu presente.
— Pela cara de poucos amigos, se esqueceu de comprar…
— É que eu não lembrei que o amigo oculto era hoje.

Noviça fez um biquinho de tristeza.

— Como sempre, né, Will? Quando não fura, chega atrasado ou esquece o presente…


******


Flashback.

Natal de 2006  


Noviça também é outra que coleciona bolas foras no amigo oculto. Ela ganhou uma caixa de lenços de papel do mesmo William Bastos Marques.

— Lenços de papel?

William olhou para baixo.

— Lenços de papel? Está prevendo que eu vou chorar muito no ano que vem?
— O mercado estava quase para fechar.
— Gostei… E gostei muito, se não sabe… — Noviça, irritada, abriu a caixa e pegou um lenço: — Gostei do mesmo jeito que você ia gostar se tivesse dado um presente com tanto amor e recebesse em troca uma caixa de lenços de papel.

— Está reclamando do quê, Noviça? Você já está usando seu presente! — disse Luís Carlos, dando bola fora como sempre.

Noviça, chateada, acertou a caixa de lenços em Luís Carlos e correu chorando para o quarto.

Fim do flashback.

******

Noviça voltou-se novamente para a câmera, com o rosto em destaque.

— Eu, Carmen Angélica Esteves, acumulo decepções em amigos ocultos ao longo da vida. Se num ano não ganho nada, no outro sou trolada. Foi naquele Natal que tomei uma decisão que mudou minha vida…

Sobe som: trilha sonora de suspense.

— Fiz um amigo oculto comigo mesma e resolvi me presentear.

Jaqueline interrompeu o momento revelação da mãe:

— Amigo oculto consigo mesma?
— Mas é claro! — Noviça dá de ombros.
— Isso é chuncho. Não vale.
— Como não vale? Eu sou a minha melhor amiga!
— Isso não vale! Não vale!
— Como não?
— Porque não tem graça!
— E como não?

******

Flashback.

2007

Após pegar Gladys no amigo oculto, Noviça fez um sorteio consigo mesma.

— Dar-me mal no amigo oculto, isso é coisa do passado! É para os fracos!

Noviça deu uma piscadela cúmplice para a câmera.

— Problemas com presentes? Nunca mais! Minha amiga secreta é linda, simpática, alto astral e ainda por cima tem muito bom gosto… De quem estou falando?

Noviça entregou um presente para si mesma.

— Você sempre acerta no presente, gatinha!

Fim do flashback.

******


Por fim, chegou a vez de Noviça anunciar quem era seu amigo oculto:

— Para não cansá-los, direi somente que meu amigo oculto adora surpreender. Bem, de fato, ele realmente surpreende!

Luís Carlos abriu o mesmo sorriso que o Chaves quando acha que leu em inglês.





Noviça presenteou Luís Carlos com um cubo mágico e ele vibrou de alegria:

— Que presentão, Noviça.
— Que bom que gostou!
— Não sei se ele resolve ainda nessa encarnação, mas não custa ter fé — complementou Lilly.

Porém, quando começou a tocar Macarena, Edu Meirelles se levantou do sofá, tirou o paletó e o esfregou nos ombros, como se tivesse saído do banho, seu inconfundível passo de dança. Luís Carlos, nada acanhado, o acompanhou:

— E aí, amigos? Vão ficar aí parados? Festa sem tocar Macarena não é uma festa completa.

Tudo bem, tudo bem. Começa aqui o Trem da Malacubaca. William se fez de durão, mas não aguentou muito tempo sentado. Depois dele, Lilly se rendeu ao gingado da Macarena. Menos de 30 segundos depois, todos formavam um trenzinho com Noviça na liderança. Sim, sim, aquelas coreografias que você só faz quando está entre os familiares. Dance bem ou dance mal, o importante é dançar.

Narrador: (estava dançando Macarena) Já está acabando? Caramba, isso quer dizer que já é Natal e eu posso ir para minha casa descansar, não? Sim? Mas passando o Natal vem a ressaca do dia 25, a troca de presentes porque nem todo mundo se agradou com as escolhas dos outros; a corrida de São Silvestre, a Mega Sena da Virada e sim, meu caro telespectador da Malacubaca, o Show da Virada com ninguém menos que Carmen Angélica e seus 1,85 de pura gostosura, simpatia e glitter… Praia é para os fracos, os azarados. Os iluminados estão com os corações ansiosos para virarem o ano em ótima companhia…

Gladys empolgou-se demais da conta na hora de fazer uma coreografia e o enchimento dos seios caiu no chão. Ela tentou se agachar discretamente, mas rasgou a parte de trás do vestido. Como era William mesmo, ele deu um muxoxo descontraído e dançou, porém, um dublê representou a tia folgada.

Noviça, mais animada, coordenou passos muito, mas muito engraçados. Jaqueline sorriu. Esses momentos divertidos em família compensaram o stress dos preparativos e os dias difíceis de um ano que se despedia. Outro ano, aliás. E que ainda venham muitos outros natais.

Narrador: Que venha o SDV… Ou não!

Noviça, antes de fechar a porta da sala, encarou o narrador como se pudesse vê-lo.

Narrador: Que venha o SDV.

Noviça assentiu e fechou a porta.



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