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| Bolinho, 8/7/2025 — 1º/12/2025 (Reprodução/Arquivo pessoal da Mary) |
Bolinho foi pequena apenas no tamanho. No resto, ela sempre foi gigante: na coragem, na doçura, na inteligência e na capacidade quase humana de amar, ou melhor, que muitos humanos jamais desenvolvem.
Chegou à vida da família como chegam as coisas boas: discretamente, miudinha, com aquele jeito curioso de hamster que primeiro cheira, depois observa e só então se entrega. No entanto, quando se entregou, entregou tudo. Transformou prateleiras em grandes aventuras, rolinhos de papel em moradinhas especiais e o cuidado diário em rituais de afeto.
Foi companheira em dias bons e dias difíceis. Era quem recebia com aquele olhar que reconhece, que acolhe, que não cobrava nada além de presença.
Aquele “squiiic” tão característico sempre foi a forma dela dizer: “estou aqui e te amo do meu jeitinho.”
Bolinho foi mais do que um hamster.
Foi companhia.
Carinho.
A lembrança viva de que o amor mora nas coisas pequenas, nas que cabem na palma da mão, mas ocupam um quarteirão inteiro dentro do peito.
Nos seus últimos dias, mostrou uma bravura que poucos humanos têm. Lutou mais do que seu corpinho merecia. Bateu asas devagar, mas com dignidade. Ela lutou com a bravura de quem sabe que pertence profundamente a alguém. E pertencendo, partiu do mesmo jeito que viveu: discreta, delicada, deixando atrás de si um rastro de doçura que nenhum tempo apagar.
Hoje, 1º de dezembro de 2025, Bolinho descansou.
Sua despedida foi simples e afetuosa… como ela.
Um amendoim, o “cerealzinho verde”, a “rolha” favorita, tudo dentro do rolinho de papel higiênico que ela tanto amava transformar em casa.
E, então, foi confiada à terra em um vaso de plantas, onde continua do jeitinho que sempre foi: presente, discreta e cheia de significado.
E permanece aqui, como a joaninha que agora mora na memória, símbolo de sorte, proteção e da bondade que trouxe à vida de quem teve a honra de conviver com ela.

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