Se você gosta de vinho, temos uma excelente notícia: nesta quarta-feira (18) é comemorado o Dia Mundial do Vinho. A história é quase tão antiga quanto a própria humanidade e nos lembra que as melhores coisas da vida exigem tempo, maturação e, acima de tudo, paciência.
Aceita uma taça de vinho por cortesia da casa? Escolha o seu preferido e venha embarcar conosco nessa maravilhosa e inebriante jornada!
🍇 Um “acidente” sagrado
🏺 O Sangue da Terra (Egito e Grécia)
Se o suco de uva se transformava em algo que alterava o estado de espírito, as antigas civilizações acreditavam ser obra dos deuses. Isso porque o vinho servia para aproximar o homem do divino, muito usado em rituais, oferendas e sacrifícios. Beber era, em muitos casos, um ato de comunhão.
Eles eram tão organizados que rotulavam as ânforas com o ano da safra, o vinhedo e até o nome do mestre vinicultor. Também era comum levar vinho para os túmulos dos faraós porque se acreditava que estes precisariam de status e celebração na vida após a morte.
🏛️ In vino veritas (Grécia Antiga)
Se no Egito o vinho era o silêncio guardado nos túmulos reais, na Grécia Antiga ele ganhou voz e foi “democratizado”. Tornou-se o combustível dos Simpósios, aquelas famigeradas reuniões onde o ato de beber servia, acima de tudo, para libertar a mente.
Sob a proteção de Dionísio, o vinho não era apenas o centro das festas, mas um verdadeiro símbolo de civilização. Os gregos, mestres do equilíbrio, o misturavam com água e mel, acreditando que a bebida retirava as máscaras do cotidiano para revelar a essência do homem. Afinal, como o tempo provou e o latim eternizou: In vino veritas, no vinho está a verdade.
Beber para ficar “louco” era visto como falta de autocontrole, tanto que o vinho era diluído em água para as pessoas poderem beber a noite toda, discutindo política e filosofia sem perder a razão. Era a bebida da mente clara e do debate.
🍷 Vinho como Poder e Expansão (Roma Antiga)
Os romanos herdaram a cultura grega, mas transformaram o vinho em um negócio global, levando-o para todos os cantos da Europa. Onde o exército chegava, videiras eram plantadas; afinal, para um romano, um lugar que não produzia vinho era simplesmente “bárbaro”. Foram eles que criaram as primeiras adegas de envelhecimento e descobriram que o carvalho dos barris apurava o sabor — uma técnica que usamos até hoje!
🛡️ A Igreja como “escudo” do vinho
Quando o Império Romano caiu e o caos se espalhou, as estradas ficaram perigosas e o comércio parou. Se não fossem os mosteiros (beneditinos, cistercienses, etc.), as videiras teriam morrido. Como o vinho é essencial para a Eucaristia, os monges tinham o dever sagrado de manter os vinhedos vivos.
Esses monges medievais executavam um trabalho apurado, anotavam quais uvas cresciam melhor em cada solo, como o clima influenciava o sabor, de modo que praticamente todo o mapa dos vinhos famosos da Europa (a exemplo de Borgonha) foi desenhado por eles.
Na Idade Média, o vinho era mais seguro do que a água (que muitas vezes era contaminada).
🕌 Ciência e Esplendor (Oriente)
Enquanto os monges católicos desenhavam o mapa dos vinhos na Europa Ocidental, no Oriente a tradição também era mantida viva pela Igreja Ortodoxa em Constantinopla e pelos alquimistas árabes, que, mesmo sem beber o vinho, nos deram o segredo da destilação.
Império Bizantino — Em Constantinopla (hoje Istambul), a Igreja Ortodoxa continuava a tradição romana com um luxo absurdo. O vinho era bebido em taças de ouro e pedrarias, mantendo viva a sofisticação que o Ocidente tinha “esquecido” por um tempo.
Alquimia Árabe — Com a expansão do Islã no século VII, o consumo de vinho foi proibido pela religião, mas os árabes eram gênios da ciência e aperfeiçoaram o Alambique. Mesmo sem beber o vinho, eles o destilavam para fins medicinais e de perfumaria. Sem essa tecnologia árabe, nunca teriam inventado o conhaque, o gim ou a vodca séculos depois!
A Pérsia e a Poesia — Mesmo com restrições, a cultura persa imortalizou o vinho na literatura. Poetas como Omar Khayyam escreviam sobre o vinho como um símbolo de liberdade espiritual e amor, provando que nem a distância, nem a lei, apagavam a chama dessa história.
🧪 Do Altar ao Laboratório: a Ciência entra em cena
Dessa dança entre a fé dos monges europeus e a ciência dos alquimistas orientais, o vinho chegou ao século XIX ainda como um mistério da natureza.
Foi nessa época que Louis Pasteur, pai da microbiologia, descobriu que o vinho não se transformava por acaso, mas pela ação de seres vivos microscópicos: as leveduras. Ele, por assim dizer, salvou a indústria vinícola da época ao ensinar como controlar a fermentação e evitar que a bebida azedasse, provando que, além de sagrado e histórico, o vinho é uma ciência viva.
🍷 O elixir da saúde (na medida certa)
Hoje, o vinho deixou de ser apenas a “bebida das elites” ou o “sangue da missa” para se tornar um símbolo de estilo de vida e bem-estar.
O consumidor atual busca a história no rótulo. Não bebemos apenas o líquido; bebemos o terroir (o solo), o clima e o trabalho de quem produziu. O vinho é o protagonista da “harmonização”, transformando um jantar simples em um evento sensorial.
Com aplicativos e clubes de vinho, o conhecimento que antes era restrito aos sommeliers agora está na palma da mão. O vinho se tornou “pop”, mas sem perder sua aura de sofisticação.
O vinho tinto contém polifenóis, sendo o mais famoso o resveratrol, que vem da casca da uva. Em laboratórios e estudos com animais, ele apresentou propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e protetoras do coração. No entanto, para um humano obter essa dose que funcionou nos ratos, precisaria beber centenas de litros diários.
Durante muito tempo, cientistas observaram que os franceses tinham baixas taxas de doenças cardíacas apesar de comerem muita gordura saturada, e atribuíram isso ao consumo regular de vinho tinto. Estudos mais recentes sugerem que os riscos do álcool podem superar os benefícios cardíacos para algumas pessoas.
Nenhuma associação médica recomenda que alguém comece a beber para melhorar a saúde. Eles apenas dizem que, se você já bebe, que seja com moderação.
📅 Por que 18 de fevereiro?
A origem exata do Dia Mundial do Vinho (Global Drink Wine Day) é um pouco nebulosa, mas a data consolidou-se nos Estados Unidos e se espalhou pelo mundo. A ideia foi criar um momento para celebrar os benefícios e a história da bebida antes da chegada da primavera no Hemisfério Norte, funcionando como um “aquecimento” para a alma durante o inverno deles.
Aqui no nosso verão, ele cai como um brinde à maturidade em plena Quarta-Feira de Cinzas!
📊 Curiosidades que merecem um brinde
- Você sabe qual é o país que mais consome vinho por pessoa?
- A vinha mais antiga tem mais de 400 anos!
- Vinho no Espaço
- A garrafa mais antiga:
Seja no laboratório, no altar ou na nossa mesa de jantar, o vinho continua sendo a prova de que as melhores coisas da vida exigem tempo. Das mãos dos monges aos experimentos no espaço, o vinho é a nossa conexão líquida com o passado e um brinde ao futuro.
E você, como vai celebrar hoje? Com uma taça para relaxar ou com a paciência de quem sabe esperar o momento certo? Saúde! 🍷✨

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