18 de fevereiro | Dia Mundial do Vinho 🍷



Se você gosta de vinho, temos uma excelente notícia: nesta quarta-feira (18) é comemorado o Dia Mundial do Vinho. A história é quase tão antiga quanto a própria humanidade e nos lembra que as melhores coisas da vida exigem tempo, maturação e, acima de tudo, paciência.

Aceita uma taça de vinho por cortesia da casa? Escolha o seu preferido e venha embarcar conosco nessa maravilhosa e inebriante jornada!

🍇 Um “acidente” sagrado

Essa história remonta à Idade da Pedra, mas não é uma força de expressão. Foi justamente no período Neolítico (por volta de 10.000 a.C. a 4.000 a.C.) que ocorreu a Revolução Agrícola, ou seja, o ser humano deixou de ser nômade e passou a se fixar na terra.

Foi há mais ou menos 8000 anos, lá nas montanhas do Cáucaso (onde hoje é a Geórgia e o Irã), que alguém esqueceu uvas colhidas em um recipiente.  As leveduras naturais da casca da uva “comeram” o açúcar e criaram o álcool. Quando abriram o pote, em vez de estragado, estava… mágico.

Para se fazer vinho, precisamos de vinhedos. E eles levam anos para frutificar. Logo, só foi possível ter vinho quando o homem se estabeleceu em um lugar e passou a cultivar a terra. Foi nesse período histórico que o ser humano aprendeu a moldar o barro e queimá-lo para fazer potes porque sem esses instrumentos, não haveria onde fermentar ou guardar o suco das uvas.

🏺  O Sangue da Terra (Egito e Grécia)

Se o suco de uva se transformava em algo que alterava o estado de espírito, as antigas civilizações acreditavam ser obra dos deuses. Isso porque o vinho servia para aproximar o homem do divino, muito usado em rituais, oferendas e sacrifícios. Beber era, em muitos casos, um ato de comunhão.

Para os egípcios, o vinho era uma bebida extremamente exclusiva, reservada para os Faraós e a alta casta sacerdotal. Era o “suor de Rá” (o deus sol).

Eles eram tão organizados que rotulavam as ânforas com o ano da safra, o vinhedo e até o nome do mestre vinicultor. Também era comum levar vinho para os túmulos dos faraós porque se acreditava que estes precisariam de status e celebração na vida após a morte.

🏛️ In vino veritas (Grécia Antiga)

Se no Egito o vinho era o silêncio guardado nos túmulos reais, na Grécia Antiga ele ganhou voz e foi “democratizado”. Tornou-se o combustível dos Simpósios, aquelas famigeradas reuniões onde o ato de beber servia, acima de tudo, para libertar a mente.

Sob a proteção de Dionísio, o vinho não era apenas o centro das festas, mas um verdadeiro símbolo de civilização. Os gregos, mestres do equilíbrio, o misturavam com água e mel, acreditando que a bebida retirava as máscaras do cotidiano para revelar a essência do homem. Afinal, como o tempo provou e o latim eternizou: In vino veritas, no vinho está a verdade.

Beber para ficar “louco” era visto como falta de autocontrole, tanto que o vinho era diluído em água para as pessoas poderem beber a noite toda, discutindo política e filosofia sem perder a razão. Era a bebida da mente clara e do debate.

O simpósio era restrito aos homens, enquanto meninos ou meninas escravas serviam a comida, as bebidas e entretinham os convidados. As únicas mulheres que podiam entrar eram as Hetairas, que eram muito mais do que acompanhantes; eram artistas, musicistas e, muitas vezes, as mulheres mais inteligentes e cultas da Grécia. Elas participavam das conversas, porém não tinham os mesmos direitos.

🍷 Vinho como Poder e Expansão (Roma Antiga)

Os romanos herdaram a cultura grega, mas transformaram o vinho em um negócio global, levando-o para todos os cantos da Europa. Onde o exército chegava, videiras eram plantadas; afinal, para um romano, um lugar que não produzia vinho era simplesmente “bárbaro”. Foram eles que criaram as primeiras adegas de envelhecimento e descobriram que o carvalho dos barris apurava o sabor — uma técnica que usamos até hoje!

🛡️ A Igreja como “escudo” do vinho

Quando o Império Romano caiu e o caos se espalhou, as estradas ficaram perigosas e o comércio parou. Se não fossem os mosteiros (beneditinos, cistercienses, etc.), as videiras teriam morrido. Como o vinho é essencial para a Eucaristia, os monges tinham o dever sagrado de manter os vinhedos vivos.

Esses monges medievais executavam um trabalho apurado, anotavam quais uvas cresciam melhor em cada solo, como o clima influenciava o sabor, de modo que praticamente todo o mapa dos vinhos famosos da Europa (a exemplo de Borgonha) foi desenhado por eles.

Na Idade Média, o vinho era mais seguro do que a água (que muitas vezes era contaminada).

🕌 Ciência e Esplendor (Oriente)

Enquanto os monges católicos desenhavam o mapa dos vinhos na Europa Ocidental, no Oriente a tradição também era mantida viva pela Igreja Ortodoxa em Constantinopla e pelos alquimistas árabes, que, mesmo sem beber o vinho, nos deram o segredo da destilação.

Império Bizantino — Em Constantinopla (hoje Istambul), a Igreja Ortodoxa continuava a tradição romana com um luxo absurdo. O vinho era bebido em taças de ouro e pedrarias, mantendo viva a sofisticação que o Ocidente tinha “esquecido” por um tempo.

Alquimia Árabe — Com a expansão do Islã no século VII, o consumo de vinho foi proibido pela religião, mas os árabes eram gênios da ciência e aperfeiçoaram o Alambique. Mesmo sem beber o vinho, eles o destilavam para fins medicinais e de perfumaria. Sem essa tecnologia árabe, nunca teriam inventado o conhaque, o gim ou a vodca séculos depois!

A Pérsia e a Poesia — Mesmo com restrições, a cultura persa imortalizou o vinho na literatura. Poetas como Omar Khayyam escreviam sobre o vinho como um símbolo de liberdade espiritual e amor, provando que nem a distância, nem a lei, apagavam a chama dessa história.

🧪 Do Altar ao Laboratório: a Ciência entra em cena

Dessa dança entre a fé dos monges europeus e a ciência dos alquimistas orientais, o vinho chegou ao século XIX ainda como um mistério da natureza. 

Foi nessa época que Louis Pasteur, pai da microbiologia, descobriu que o vinho não se transformava por acaso, mas pela ação de seres vivos microscópicos: as leveduras. Ele, por assim dizer, salvou a indústria vinícola da época ao ensinar como controlar a fermentação e evitar que a bebida azedasse, provando que, além de sagrado e histórico, o vinho é uma ciência viva.

🍷 O elixir da saúde (na medida certa)

Hoje, o vinho deixou de ser apenas a “bebida das elites” ou o “sangue da missa” para se tornar um símbolo de estilo de vida e bem-estar

O consumidor atual busca a história no rótulo. Não bebemos apenas o líquido; bebemos o terroir (o solo), o clima e o trabalho de quem produziu. O vinho é o protagonista da “harmonização”, transformando um jantar simples em um evento sensorial.

Com aplicativos e clubes de vinho, o conhecimento que antes era restrito aos sommeliers agora está na palma da mão. O vinho se tornou “pop”, mas sem perder sua aura de sofisticação.

O vinho tinto contém polifenóis, sendo o mais famoso o resveratrol, que vem da casca da uva. Em laboratórios e estudos com animais, ele apresentou propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e protetoras do coração. No entanto, para um humano obter essa dose que funcionou nos ratos, precisaria beber centenas de litros diários.

Durante muito tempo, cientistas observaram que os franceses tinham baixas taxas de doenças cardíacas apesar de comerem muita gordura saturada, e atribuíram isso ao consumo regular de vinho tinto. Estudos mais recentes sugerem que os riscos do álcool podem superar os benefícios cardíacos para algumas pessoas.

Nenhuma associação médica recomenda que alguém comece a beber para melhorar a saúde. Eles apenas dizem que, se você já bebe, que seja com moderação.

📅 Por que 18 de fevereiro?

A origem exata do Dia Mundial do Vinho (Global Drink Wine Day) é um pouco nebulosa, mas a data consolidou-se nos Estados Unidos e se espalhou pelo mundo. A ideia foi criar um momento para celebrar os benefícios e a história da bebida antes da chegada da primavera no Hemisfério Norte, funcionando como um “aquecimento” para a alma durante o inverno deles.

Aqui no nosso verão, ele cai como um brinde à maturidade em plena Quarta-Feira de Cinzas!

📊 Curiosidades que merecem um brinde

  • Você sabe qual é o país que mais consome vinho por pessoa?
Se você respondeu França ou Itália, sinto te desapontar. O país que mais consome vinho por pessoa é o Vaticano, cerca de 74 litros por ano. A tradição religiosa, a população pequena e adulta podem ser uma das explicações. 
  • A vinha mais antiga tem mais de 400 anos!
Existe uma videira na Eslovênia, a Stara Trta, que tem mais de quatro séculos e ainda produz uvas. Ela sobreviveu a guerras, incêndios e pragas!
  • Vinho no Espaço
Em 2019, 12 garrafas de vinho francês foram enviadas para a Estação Espacial Internacional (ISS). Elas envelheceram lá por um ano para estudar como a microgravidade afeta o sabor. O resultado foi um vinho com notas florais mais intensas!
  • A garrafa mais antiga:
A garrafa de vinho mais velha do mundo tem cerca de 1.650 anos. Ela foi encontrada em uma tumba romana na Alemanha e ainda contém líquido, embora ninguém se atreva a provar!

Seja no laboratório, no altar ou na nossa mesa de jantar, o vinho continua sendo a prova de que as melhores coisas da vida exigem tempo. Das mãos dos monges aos experimentos no espaço, o vinho é a nossa conexão líquida com o passado e um brinde ao futuro.

E você, como vai celebrar hoje? Com uma taça para relaxar ou com a paciência de quem sabe esperar o momento certo? Saúde! 🍷✨


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