Chove lá fora. Bem, bem forte. Constante. Num ritmo interminável e úmido. O contar das horas se dá lentamente. O vento bate nas janelas e arrasta tudo que encontra pela frente. Não vejo as estrelas, mas a noite dá as caras mesmo ao raiar do dia.
Aqui dentro, no entanto, há uma mesa posta. Um pano xadrez estendido, duas canecas fumegantes, queijo cortado com delicadeza… e silêncio.
Um silêncio bom. Cúmplice. Ele está sentado, com o casaco semiaberto e aquele olhar que não exige nada, só me olha como quem diz: “senta, eu tô aqui!”.
Aproximo-me dele, que me entrega a caneca da asa quebradinha e propõe um brinde singelo. O pão está quentinho e o queijo derretido serve de abraço gustativo, aterrando os sentidos na direção das nossas mãos que se entrelaçam.
Por um instante, o mundo lá fora não importa. Nem o inverno, nem o frio, nem o medo, nem o escuro. Só uma certeza me invade: meu amor é meu abrigo e meu melhor amigo. Por ora, é só o que me basta.
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