Olhos que sabem demais. Escuros. Profundos. Parecem guardar noites insones inteirinhas. Escudo de uma alma que já viu de mais e falou de menos.
Olhos que brilham sem cílio postiço que a deixariam com cara de ressaca. Desviam da multidão sem um tiquinho de aflição e desejo de “agradar”, embora não tenha sido sempre assim.
Olhos que guardam a tristeza de quem já nem forças mais para chorar tem, de quem já desistiu da vida e de si. De alguém que tentou ser igual às outras, na esperança de ter uma vida menos dolorosa, mas é diferente demais para caber em caixinhas minúsculas e se recusa a seguir modinhas vazias.
Olhos que falam mesmo em silêncio. Que doem mesmo quando um sorriso enfeita o rosto. Enxergam além, por isso, sofrem. Pelo que calam. Por quem amam.
Talvez ainda não tenha as mãos dele para segurar, porém, do amanhã ninguém sabe. Enquanto isso, as mãos transcrevem tudo que a alma pede. Mesmo que doa. Que ninguém leia. Que digam por aí que é inútil.
Ela ainda escreve.
Porque escrever é o caminho escolhido para encontrar terra firme. É aquele grito preso na garganta que sai em cor de lavanda e fúria, não para lacrar nem vender ou ter a razão.
Uma forma de respirar.
Uma extensão do ser.
Um farol todo construído pelos vaga-lumes para que as joaninhas perdidas se reencontrem e façam às pazes com suas pintinhas e cascos e parem de lutar (em vão) para ter asas de libélula.
Escrever vale a pena. ♡
ResponderExcluirVi aqui no seu blog hoje
mais cedo que hoje é dia
do livro. Feliz dia do livro!
Paula Karolina. ☆